O Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar as conversas sobre a saúde masculina e conscientizar sobre o câncer de próstata, um dos tipos de câncer mais frequentes entre os homens.
Mas será que todos precisam fazer exames de rastreamento de rotina?
Neste texto, você vai entender como funciona essa avaliação, quais são os benefícios e as limitações dos exames e por que a decisão deve considerar as características de cada pessoa, sempre com orientação profissional.
Câncer de próstata: o que é?
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Sua função é produzir parte do líquido que compõe o sêmen.
O câncer de próstata ocorre quando células da glândula passam a se multiplicar de forma descontrolada. Em muitos casos, a doença evolui lentamente, mas alguns tumores podem crescer e se espalhar para outras partes do corpo.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma).
Principais fatores de risco para o câncer de próstata
- Idade: a incidência da doença aumenta significativamente após os 60 anos. Cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.
- Histórico familiar: ter pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata, especialmente antes dos 60 anos, aumenta o risco. Isso pode estar relacionado a fatores genéticos e hereditários compartilhados.
- Sobrepeso e obesidade: o excesso de gordura corporal está associado a um risco maior de desenvolver formas avançadas da doença.
- Tabagismo: está relacionado a um maior risco de morte por câncer de próstata entre os homens que desenvolvem a doença.
- Exposição ocupacional: o contato com determinados agentes químicos e agrotóxicos, assim como algumas exposições à radiação e o trabalho noturno, tem sido investigado por possíveis associações com o risco da doença. Essas relações variam conforme o agente e o tipo de exposição.
Conhecer esses fatores ajuda a compreender o risco individual, mas ter um ou mais deles não significa que o câncer de próstata necessariamente se desenvolverá. Da mesma forma, homens sem fatores de risco conhecidos também podem receber o diagnóstico.
Rastreamento do câncer de próstata: todo homem precisa fazer exames?
O câncer de próstata pode apresentar comportamentos diferentes. Enquanto alguns tumores crescem lentamente e podem não causar problemas ao longo da vida, outros evoluem rapidamente e podem se espalhar para outros órgãos.
Por isso, identificar a doença precocemente pode favorecer o tratamento, mas é importante avaliar quando os exames são indicados.
O que é o rastreamento do câncer de próstata?
O rastreamento consiste na realização de exames em pessoas que não apresentam sintomas, com o objetivo de identificar possíveis sinais da doença antes que ela se manifeste clinicamente.
No caso do câncer de próstata, os exames mais utilizados nessa avaliação são o PSA, um exame de sangue que mede os níveis do antígeno prostático específico, e o toque retal, que permite avaliar características da próstata.
Entretanto, esses exames têm limitações. Um resultado alterado não significa necessariamente que existe câncer, assim como um resultado normal não exclui completamente a possibilidade da doença. Além disso, o rastreamento pode identificar tumores de crescimento lento que nunca causariam problemas, levando a investigações e tratamentos desnecessários, com possíveis efeitos sobre a qualidade de vida.
Por esses motivos, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento populacional de rotina para homens sem sintomas. A decisão de realizar esses exames deve considerar os possíveis benefícios e riscos, o histórico individual e as preferências do paciente, em uma conversa com o profissional de saúde.
Qual é a diferença entre rastreamento, investigação diagnóstica e acompanhamento?
Embora envolvam avaliações da saúde da próstata, essas situações têm objetivos diferentes:
- Rastreamento: busca identificar possíveis sinais de câncer em homens sem sintomas. A realização dos exames deve ser discutida individualmente com um profissional de saúde.
- Investigação diagnóstica: é indicada quando existem sintomas, alterações em avaliações anteriores ou outros motivos para suspeitar da doença. Pode envolver PSA, toque retal e exames complementares, conforme a avaliação clínica.
- Acompanhamento médico: é realizado conforme a necessidade de cada pessoa, inclusive após o diagnóstico de câncer de próstata, para monitorar a evolução da doença, avaliar a resposta ao tratamento ou acompanhar tumores que não exigem tratamento imediato.
É importante lembrar que sintomas como dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes e presença de sangue na urina merecem avaliação médica. Embora possam estar relacionados a condições benignas, também podem indicar doenças que precisam de investigação.
Neste Novembro Azul, a principal mensagem é que cuidar da saúde masculina vai além de realizar exames por rotina. Buscar orientação profissional, esclarecer dúvidas e compreender os benefícios e as limitações de cada avaliação são passos importantes para tomar decisões conscientes sobre a própria saúde.
Entenda também: A importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.

