Tomossíntese mamária e mamografia

Também conhecida como mamografia 3D, a tomossíntese pode ser considerada uma evolução da mamografia realizada em duas incidências, que é chamada de mamografia 2D. Esta nova tecnologia permite uma melhor avaliação das áreas de sobreposição do tecido mamário.

Na tomossíntese o tubo de raio X do mamógrafo faz um movimento em arco, produzindo uma série de imagens com baixa dose de radiação. Desta forma, são geradas imagens de “finas fatias de mama”, diferenciando-se da mamografia 2D, que tem a limitação da sobreposição dos tecidos.

Através de um algoritmo de reconstrução, o “somatório” destas finas fatias gera uma mamografia sintetizada sem que seja necessário adquirir novas imagens, reduzindo a exposição da paciente à radiação. As imagens produzidas na tomossíntese são sempre analisadas de forma dinâmica e em associação às projeções da mamografia 2D.

Histórico e estudos científicos sobre tomossíntese

Os primeiros testes clínicos com a tecnologia da tomossíntese tiveram início em 1995 no Massachusetts General Hospital, com apoio tecnológico da GE, que produziu o primeiro detector digital de tela plana, necessário para a tomossíntese mamária. Dez anos depois, a Hologic produziu a primeira unidade de tomossíntese clínica. Em 2011, o exame foi aprovado nos Estados Unidos.

Um número expressivo de estudos científicos, com dados robustos, demonstrou aumento significativo de sensibilidade para diagnóstico de câncer de mama, principalmente na forma invasiva. Além disso, a tomossíntese também apresenta número reduzido de falsos positivos, de reconvocações e de incidências adicionais.

Na Noruega, um estudo (Oslo Trial) realizado com aproximadamente 25 mil pacientes apresentou aumento da sensibilidade de 54,1% para 70,5%, sem qualquer redução da especificidade e com redução de 15% das reconvocações.

Resultados semelhantes foram observados no STORM Trial, um estudo italiano com cerca de 7,5 mil pacientes, com aumento de 53% na taxa de detecção de câncer e redução de 17% das reconvocações.

Na Suécia, o Malmo Trial estudou 14,9 mil pacientes e confirmou os achados de aumento da sensibilidade e equivalência da especificidade, inclusive quando a tomossíntese foi adquirida em apenas uma incidência e com menor compressão.

Meta-análises recentes, publicadas em 2020 e 2021, apresentam resultados que sustentam tanto o benefício da tomossíntese na taxa de detecção de câncer quando inserida no rastreamento mamário, como também demonstram equivalência na utilização da mamografia sintetizada como alternativa à mamografia digital, reduzindo assim a dose de radiação.

Recomendações e sobrediagnóstico

Sociedades médicas como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Sociedade Americana de Cirurgiões Mamários (ASBrS) recomendam que a tomossíntese seja o método preferencial de rastreamento sempre que disponível, podendo ser utilizada a combinação de tomossíntese com a mamografia digital ou mamografia sintetizada.

As recomendações específicas para a realização da mamografia são:

Mulheres com risco moderado: para as mulheres com mamas que não são densas, é recomendada a mamografia anual (preferencialmente 3D) a partir dos 40 anos de idade, sem necessidade de exames de imagem complementares. Para as mulheres com volume elevado das mamas, é recomendada a mamografia anual (preferencialmente 3D), a partir dos 40 anos, e deve ser considerada a realização de exames de imagem complementares.

Mulheres com risco acima do moderado: para aquelas com suscetibilidade hereditária por causa de mutações patogênicas ou que tiveram o peito exposto à radiação entre as idades de 10 a 30 anos, é recomendada a realização de ressonância magnética anual a partir dos 25 anos, e mamografia anual (preferencialmente 3D) a partir dos 30 anos. Para aquelas com forte histórico familiar da doença, deve ser realizada a mamografia anual (preferencialmente 3D), além de exames de imagem complementares (preferencialmente ressonância magnética) a partir dos 35 anos quando recomendados pelo médico.

Mulheres com mais de 50 anos com histórico pessoal de câncer de mama: realização anual do exame de mamografia (preferencialmente 3D).

Mulheres com menos de 50 anos com histórico pessoal de câncer de mama: realização anual de mamografia (preferencialmente 3D) e exames de imagem complementares (preferencialmente ressonância magnética), quando recomendados pelo médico.

O sobredagnóstico é um relevante contraponto ao rastreamento mamográfico. No entanto, à luz do conhecimento atual, o aumento da sensibilidade da tomossíntese se dá principalmente à custa de tumores invasivos, mesmo que de baixo grau e com linfonodo negativo. Apesar de ser um ponto relevante para a discussão, é preciso ressaltar que os esforços mais recentes buscam identificar marcadores que norteiam a condução cada vez mais individualizada de cada caso, em conjunto com o diagnóstico precoce, e não em detrimento deste.

Uma preocupação recorrente sobre exames radiológicos diz respeito à exposição à radiação. A dose de aquisição total de imagens de tomossíntese é equivalente à de uma mamografia digital. Para a análise do exame é necessária a avaliação conjunta das imagens mamográficas 2D e 3D, o chamado “combo”, por isso, a dose de radiação acaba sendo maior que a da mamografia digital isolada, em cerca de 1,7 a 2 vezes, ainda permanecendo abaixo dos limites de segurança estabelecidos pelos órgãos reguladores (+/- 3mGy/ exposição).

É justamente neste ponto a vantagem da mamografia sintetizada, gerada a partir das imagens adquiridas com a tomossíntese, que permite a formação de imagens 2D, sem necessidade de aquisição separada delas, assim sendo, o combo tomossíntese + mamografia sintetizada é realizado com radiação apenas da tomosíntese, ou seja, equivalente à da mamografia digital isolada.

Selenia Hologic: equipamento aliado no combate ao câncer de mama

A Ecomax conta com um dos mais modernos equipamentos da área, o Selenia Dimensions 2D e 3D da americana Hologic, que está disponível na Ecomax Mulher, em Blumenau. O aparelho possui imagens excepcionalmente nítidas, transição perfeita entre os modos de imagem 2D/3D, ferramentas de usuário sofisticadas que simplificam a operação em diferentes aplicações clínicas, permitindo uma melhor avaliação das áreas de sobreposição do tecido mamário.

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